sábado, setembro 27, 2008

Rotulagem ou rotulação, whatever...

Vivo numa sociedade que dá valor a valores cada vez menos relevantes do ponto de vista do que é útil para a vida.
A geração de pessoas à qual pertenço é, talvez, a geração da qual mais gente conseguiu entrada no ensino superior português. É uma geração que eu analiso e, às vezes, não gosto...
Olho com orgulho para a geração do meu irmão... Vejo na geração a sensibilidade pelo que é, de facto, importante. Coisas que entretanto se perderam no meio de jogos de computador e da Internet.
A geração dele, é certo, não teve uma taxa de tanta gente nas Universidades, Institutos, Escolas Superiores ou o que quer que seja...

Venho observando um fenómeno e, desde que entrei no Ensino Superior tenho visto que o fenómeno é, a meu ver, alarmante. Entretanto já saí da Faculdade e contínuo a ser perseguido pelo tal fenómeno. Falo-vos do fenómeno da rotulagem ou rotulação, whatever...

A malta da minha idade e, sobretudo a mais nova, ganhou o hábito de rotular as pessoas...
Já sabemos que isso vem acontecendo desde há muito mas este de agora é fruto de pensamentos e atitudes fúteis.


Ontem durante um jantar entre amigos e amigos de amigos disse a um amigo meu:

O pessoal agora tem a mania de "colocar" rótulos. Porque é que quando nos apresentam a alguém existe a necessidade de dizerem, por exemplo, "Ele é o meu melhor amigo"?! Isso para mim não passa de um rótulo...
Fui mais a fundo e dei-lhe o meu exemplo.
Quando me apresentam a alguém há sempre aquela tendência de dizerem: "Ele é professor.". E voltei à pergunta retórica: Porquê?! Ele não me respondeu e continuou a ouvir-me. Prossegui o meu discurso dizendo que, depois das pessoas a quem fui apresentado saberem que eu sou professor ainda tecem aqueles comentários tão giros como: "Tão fofo!".

Ele riu-se e a conversa ficou por ali...

Passados alguns minutos alguém (AG) se lembrou de dizer a uma rapariga (F) que estava lá no restaurante uma coisa muito importante.
- O Faleiro é professor! - disse a AG.
- Professor de quê? - disse a F.
- Sou professor do Primeiro Ciclo. - disse eu.
- Que querido! - disse a F.
Foi neste momento que me levantei e disse ao meu amigo: "Estás a ver o que acabou de acontecer aqui?!". Ri-me, chegou!


Onde é que eu quero chegar?!

Nas gentes da minha idade e mais novas há uma tipologia de pergunta que permite colocar o rótulo.
Hoje em dia, as pessoas estão mais interessadas em saberem qual o curso SUPERIOR que a outra pessoa frequenta em vez que saberem coisas tão simples como o nome...

O que é que estudas?
Onde é que estudas?
Estás em que ano?

Tenho amigos de vários quadrantes, muitos não licenciados...
Nem toda a gente tem a oportunidade ou o mérito de conseguir estar no Ensino Superior. Já pensaram o que é perguntarem isso a quem não teve essa oportunidade?!

Gostava de não sentir a necessidade por parte das pessoas em saberem o curso umas das outras e gostava igualmente que se dedicassem a conhecer realmente "o outro", que dessem valor à forma de pensar, aos ideais...

Informações fúteis para quê?! Só para haver tema de conversa?


Não, Obrigado!
Estou farto de rótulos!

2 comentários:

Lília * prima disse...

Gostei muito do texto primo.
Cada palavra sem tirar nem pôr, porém tens que te habituar, porque na sociedade onde vivemos, ou seja, a nossa geração é mesquinha por vezes, individualista e sentem a necessidade de rotular os outros (cada vez mais..)

Mas eu também serei professora futuramente e depois tambem me vão rotular?!?! =P

Anónimo disse...

Pq um nome? Pq um estatuto? Pq que temos de informar o que é informal? Pq que não nos limitamos a usar os nossos sentidos? Pq que temos a necessidade de artefactos? Se muitas vezes a explicação e o fascínio das coisas, está no que é inexplicável. Pq que não acreditamos mais nos nossos sentimentos? Teremos nós a viver mais uma crise?! A DOS AFECTOS, DOS SENTIMENTOS, DOS SENTIDOS, DO CONHECIMENTO DE NÓS PRÓPRIOS?

Aquela lágrima mágica

p.s: Tu sabes quem é:)