quarta-feira, janeiro 12, 2011

Modas

A evolução vai acontecendo e as modas vão e vêm...

Aqui há uns anos atrás, quando eu era puto, ser ortopedista estava na moda. Os ortopedistas, aparentemente, tinham solução para todo e quaisquer problemas.
Hoje em dia, as profissões da moda devem ser ser Psicólogo Educacional ou Pedopsiquiatra.

Vejamos, antigamente andávamos na rua e não havia perigo aparente em nenhuma actividade como mandar cartuchos com canudos, jogar ao espeta, andar de carrinhos de rolamentos, subir às árvores, roubar pregos e o martelo ao pai para fazer cabanas, tocar às campainhas das vizinhas, ir à chinchada ("Olha o homem!!!"), jogar à bola na estrada, jogar ao pião...

Hoje, o perigo rodeia todas as crianças e os videojogos assumiram uma preponderância que tornam as crianças da actualidade seres sedentários. Já muito foi escrito no que diz respeito a este assunto portanto não me vou alongar...

Até há uns bons 20 anos atrás toda e qualquer criança ia ao ortopedista por ter os pés ligeiramente tortos. Solução: BOTAS ORTOPÉDICAS!
Eles arranjavam uma sola manhosa para um calçado esquisito e toca de pôr os putos com aquelas botas magníficas. Eram um bom instrumento para andar à biqueirada ao que quer que fosse e garanto que deixavam as canelas muito mal tratadas, é que jogar à bola sempre foi uma prioridade...

Hoje, toda e qualquer criança que se mexa mais de cinco vezes por minuto vai ao Psicólogo ou ao Pedopsiquiatra e é-lhe diagnosticada uma phda (perturbação de hiperactividade e défice de atenção) e a solução passa por receitar uns comprimidos: Rubifen, Ritalin, Concerta…

O meu amigo Ricardo sugeriu-me um negócio dois em um (2x1) que visasse a prescrição de botas e de comprimidos em simultâneo. Assim, quando se esquecessem de tomar a dose diária, começavam a dar pontapés em tudo o que mexesse.
E como a moda é cíclica, o normal é a ortopedia voltar a ficar na berra, desta vez devido às artroses provocadas pelo sedentarismo. Talvez aí deixem as crianças serem crianças. Pode ser que nessa altura vão parar ao ortopedista porque partiram uma perna ou um braço a subir a uma árvore (coisa extremamente perigosa porque podem ficar com calos nas mãos pelo facto do tronco da árvore apresentar uma textura que não se assemelha ao invólucro plástico de uma consola de jogos).

Eu brinquei na rua, usei botas ortopédicas e mexia-me até me cansar.

Botas ortopédicas 1 – 0 Modificadores de comportamento

1 comentário:

Izy disse...

Adorei... e eu também brinquei na rua, usei botas ortopédicas e não parava quieta, enfim, fui criança. Mas quem é que não gosta de ser criança?